

EXPOSIÇÕES
A minha investigação expande-se para o contexto expositivo através da criação de instalações audiovisuais e sonoras que exploram a perceção sensorial e a relação do público com o espaço.
O diálogo entre materialidade e imaterialidade, presença e ausência, torna-se um eixo central da minha prática, resultando em obras que desafiam a distinção entre objeto e evento performativo. A interatividade surge como um elemento recorrente, permitindo que o público participe ativamente na construção da experiência. Seja através da manipulação de dispositivos sonoros, da exploração do movimento em resposta à luz e ao som, ou da criação de ambientes que convocam memórias sensoriais, o meu trabalho propõe formas de envolvimento que vão além da contemplação passiva.
As minhas instalações foram apresentadas em museus, galerias e festivais internacionais, evidenciando uma abordagem onde o espaço expositivo se torna um território de experimentação, onde som, imagem e corpo se entrelaçam para criar novas possibilidades de fruição estética.

Color of Healing
instalação vídeo
Andy Warhol Foundation for the Visual Arts / Nexus Fundation, Atlanta, Estados Unidos 2023
The Color of Healing é uma instalação vídeo-sonora que realizei em colaboração com a artista Deanna Sirlin e a poeta Opal Moore. O projeto parte da ideia dos poderes curativos da luz, da cor e da linguagem, sobretudo no contexto dos últimos três anos de pandemia, que deixaram marcas profundas no corpo e no espírito.
A obra apresenta uma fusão entre imagens em movimento, que evocam tinta, fumo e elementos naturais, e a voz poética de Opal Moore, criando uma experiência imersiva onde o som e a imagem se entrelaçam. O trabalho visual de Sirlin, com as suas transparências e a relação com a luz natural, estabelece o cenário onde esta paisagem sonora se desenrola, ampliando a percepção do espectador.
Enquanto videógrafo e compositor da paisagem sonora, procurei traduzir em som as nuances da imagem, criando um diálogo sensorial que convida à reflexão e à presença. Esta peça integra-se na exposição da artista no campus da Georgia Tech, complementando a instalação Watermark, de Sirlin, num contraponto entre o espaço físico e a intervenção poética e audiovisual.
Este trabalho convida-nos a pensar o potencial curativo das artes e a forma como a combinação de diferentes linguagens pode abrir caminhos para a experiência e o entendimento do presente.

Vídeo frame da peça “Wavelength” - Deanna Sirlin / Nuno Veiga
Waveleght
instalação vídeo
Galeria Chastain, Atlanta, Estados Unidos 2022
Fui convidado a colaborar com a artista visual Deanna Sirlin na criação de um novo trabalho em vídeo para a sua exposição Wavelength, apresentada na Galeria Chastain, em Atlanta. O meu contributo enquanto videasta consistiu em recontextualizar as suas instalações em vidro — conhecidas pela forma como alteram a perceção do espaço envolvente — através da introdução de movimento, luz e som.
Neste trabalho, propus uma nova leitura das suas transparências, atualmente também em exibição na Bienal de Veneza e na Biblioteca Crosland da Georgia Tech. O vídeo procurou expandir a materialidade das peças de Sirlin, cruzando as suas cores e camadas com uma abordagem audiovisual que lhes devolvesse outra temporalidade.
A exposição inclui ainda um conjunto de pinturas da artista, criando um diálogo entre diferentes suportes, linguagens e escalas.
Quando as paredes falam
instalação sonora
Nó na Garganta / Quinta Alegre | Lugar de Cultura 2022
Quando as Paredes Falam é um projeto que pretende dar a conhecer as memórias auditivas daqueles que habitaram e viveram o Palácio Marquês do Alegrete nos seus tempos áureos, explorando a relação do som com a memória.
O som será, assim, utilizado como uma poderosa linguagem de expressão das experiências racionais e afetivas de todos os participantes, levando o espectador numa viagem imersiva pelo palácio de outros tempos. Com uma abordagem participativa, este é um projeto em que a comunidade é chamada a intervir de forma ativa, e que tem como objetivo reunir conhecimento sobre a vivência e a rotina do palácio, tendo sempre em conta os diversos grupos etários, sociais e étnicos, promovendo a inclusão e encorajando à participação.
conceção e Coordenação: Marta Pedroso
produção e Coordenação: Sofia Leone
sonoplastia: Nuno Veiga
design Gráfico: Ana Fatia
documentário Vídeo: Bruno Canas
fotografia: Bárbara Araújo
Iniciativa organizada por Quinta Alegre | Lugar de Cultura e integrada no programa Memórias de Lisboa, da Direção Municipal de Cultura, que visa resgatar, preservar e divulgar memórias dos bairros e comunidades de Lisboa, reforçando a identidade local e contribuindo para a coesão social e territorial da cidade.
Apeadeiro instalação de Nuno Veiga e Yola Pinto
instalação
Festival Pelo Andar da Carruagem, Frechas 2022
Território espectral com entrada e saída de passageiros para uma instalação imersiva construída por objetos relacionados com a antiga linha do Tua, que se cruzam com elementos naturais retirados da paisagem do Vale do Tua. Depoimentos da população e registros fílmicos recolhidos durante as residências deste festival convergem neste não lugar, gravado em nós nos últimos meses. Esta instalação fez parte do festival de artes performativas "Pelo Andar da Carruagem", apresentado ao vivo na aldeia de frechas, concelho de Mirandela, em Trás-os-Montes, dia 11 de junho 2022.
Janela - ZigurFest 2021
curadoria
Festival Zigurfest, Lamego 2022
Para esta mostra, selecionei 10 trabalhos de videoarte sem partir de um tema pré-definido. O critério curatorial surgiu da própria visualização das obras, procurando construir uma sucessão de ressonâncias — visuais, temáticas e sensoriais — que atravessam questões recorrentes na videoarte contemporânea nacional.
Entre os eixos que emergiram, destacam-se a semiótica da imagem em movimento, o corpo como presença e matéria, as relações com o espaço, as inquietações ecológicas e uma aproximação ao onírico. Esta seleção pretende dar a ver não uma tendência fechada, mas um conjunto de impulsos e direções que têm marcado o pensamento e a prática da videoarte em Portugal nos últimos anos.
From my Window
curadoria
2020
Árvores, relva, caixotes do lixo, o nome de uma rua, carros, carros estacionados ou em movimento. Uma paragem de autocarro. Vizinhos. Pessoas desconhecidas, pessoas que fumam à janela, pessoas que passeiam os cães, pessoas que vão levar o lixo à rua, pessoas que correm, que se exercitam, as poucas, as muito poucas pessoas que ainda chegam do trabalho ( não parece que já não há pessoas na rua?)
Há os gatos vadios a correr, o céu, e tudo o resto. Para onde olhas quando olhas pela janela? O que vês? O que te chama a atenção? Nesta altura em que estamos isolados em casa, em quarentena, olhamos pela janela, para o lugar onde antes circulávamos, nós e os outros. Em From my Window (da minha janela) queremos receber os vossos vídeos, filmados da vossa janela, queremos receber vídeos de muitas das janelas do mundo. Sair pela janela sem sair de casa. Aproximarmo-nos quando não nos podemos abraçar, e compreender como vemos o mundo, como o lemos e o sentimos quando olhamos da nossa janela.
*From my window é um projecto de curadoria digital em tempos de quarentena, com o objectivo de quando esta pandemia passar ser actualizada numa instalação.
curadoria Nuno Veiga e Daniel Moutinho
video Max Provenzano

Casa das Musas
instalação sonora
Associação Caos, Viseu 2019
MUSEU (do latim MVSEVM, do grego MOISEUM) é o vocábulo que nomeia o edifício que nas sociedades cultas de hoje se equipara ao mitológico Panteão das Musas, as nove ninfas do Olimpo Antigo (filhas do pai celeste da mitologia grega clássica, Zeus, e de Mnemosine, a divindade da memória) – Calíope, Clio, Erato, Euterpe, Melpómene, Polímnia, Terpsicore, Talia e Urânia. As Musas são as padroeiras das diversas artes, das diversas ciências, das diversas humanidades.
Os Museus apareceram no século XVIII como continuidade do espírito colecionador dos Gabinetes de Curiosidades Naturais (os também chamados Quartos das Maravilhas), salas de colecções de “objectos de espanto e de contemplação” guardados e expostos pelas elites sociais desde o início do período moderno (século XVI).
Nas cidades de hoje são edifícios cujos espaços de exposição têm a edificante vocação de colecionar, conservar, preservar, investigar, documentar, divulgar e expor, no mais adequado contexto, as colecções do seu acervo, compostas estas pelas obras das várias disciplinas artísticas, para além das cincos Belas-Artes clássicas: Pintura, Escultura, Arquitectura, Música e Poesia. Ainda também artigos de História Natural, mecanismos científicos, e, em geral, espólios do Conhecimento. As Musas são, portanto, as entidades arquetípicas inspiradoras do espírito preservador da memória humana, função essencial dos Museus.
Luís Calheiros – Desenho
António Silva – Instalação
Nuno Veiga, Kate Smith e Leonor Gusmão – Composição, canto e voz
Apoio à produção – José Crúzio e João Loureiro
Estrutura Metálica – Metalaf, Lda.

(Un)Commoning Voices & (Non)Communal Bodies
improvização
Reading:International, Reading 2019
Fui convidado a integrar uma sessão de improvisação vocal orientada pela artista e performer Kate Smith, no contexto da exposição (Un)Commoning Voices & (Non)Communal Bodies, integrada no programa Reading:International. Esta sessão partiu de oito partituras gráficas criadas por Jack Tan — obras visuais que propõem um espaço aberto de interpretação sonora, onde a notação tradicional dá lugar à sugestão, à paisagem visual e à escuta ativa.
Enquanto performer e artista convidado, participei na ativação dessas partituras através da voz, explorando possibilidades rítmicas, tímbricas e narrativas a partir da improvisação. O processo não seguiu uma lógica de performance formal, mas antes de encontro — entre corpos, sons e modos de escuta coletiva.
Esta experiência reforçou o meu interesse por práticas artísticas que cruzam o som e o corpo como modos de construção de linguagem partilhada, num território onde o gesto vocal se torna política e poética de presença.

Mark Baldwin: Embodied Knowledge
painel de discussão
Bermondsey Project Space, Londres 2019
Fui convidado a integrar o painel de discussão PLAY, no contexto da exposição Mark Baldwin: Empowered Knowledge, apresentada no Bermondsey Project Space, em Londres. A exposição celebrava o percurso de Mark Baldwin, reconhecido coreógrafo e ex-diretor artístico da Rambert, uma das mais prestigiadas companhias de dança contemporânea do Reino Unido.
Este painel partiu da experiência do The Playground — uma plataforma que promove encontros entre artistas de diferentes disciplinas — e teve como foco a partilha de processos criativos. A discussão procurou levantar questões em torno da colaboração, da escuta, do confronto com a diferença, e da forma como o processo pode ser, por si só, um lugar de descoberta.
Partilhei a minha experiência enquanto artista multidisciplinar, refletindo sobre os desafios e as potências do trabalho coletivo, e sobre como a improvisação, a vulnerabilidade e a negociação de linguagens são elementos centrais para a criação em comum.
Foi um momento importante de reflexão e diálogo, onde pudemos aceder — e dar a ver — o que normalmente permanece no bastidor: o funcionamento interno da criação artística.

Hidden In Plain Sight
instalação sonora
Stour Space, Londres 2015
Concebi uma instalação sonora para a exposição da ilustradora Lucy Dalzell, autora do livro Sunrise to High-Rise, incluído em 2014 no top 10 de livros sobre cidades pelo jornal The Guardian.
A exposição, intitulada Hidden in Plain Sight, teve lugar na galeria Stour Space, em Londres, e foi o resultado da investigação contínua de Dalzell sobre a paisagem urbana em transformação — com foco em Hackney Wick, zona onde viveu e trabalhou nos anos que antecederam os Jogos Olímpicos. A artista procurou captar visualmente espaços muitas vezes ignorados ou em vias de desaparecimento, numa cidade em constante mutação.
Durante o processo de preparação da exposição, colaborámos na recolha de sons em diferentes zonas de Londres retratadas nas suas obras. A partir desse material sonoro — fragmentos de ambientes urbanos, sons industriais, ruídos humanos e paisagens acústicas específicas — compus uma paisagem sonora responsiva, que integrava a instalação e oferecia ao visitante uma experiência imersiva. O som funcionava como extensão e comentário sensorial às ilustrações, criando um diálogo entre o visível e o invisível da cidade.

Zero.8
instalação vídeo
Jardins Efémeros, Viseu 2014
Instalação de áudio e vídeo feita para os Jardins Efémeros, em Viseu
Com “Zero.8” caminha-se pelo mundo. Ruas e praças de cidades dos quatro cantos do planeta são percorridas a pé por viajantes vários. Cada rua, cada praça, cada esquina, em bom rigor, cada viagem documenta no plano visual e sonoro o percurso ou a deriva ambulatória. Reinventam-se as paisagens sonoras, as ambiências rítmicas, as molduras arquitectónicas, o empedrado das calçadas ou a atmosfera meteorológica.
Ao visitante da instalação lança-se um desafio (ou convite): deixe-se levar nos sapatos do outro, escute as emoções das personagens ou partilhe as identidades que atravessam esta deriva planetária. Seja um nómada global, localmente.- José Alberto Ferreira